Nome de bairro que por muitos anos ficou à margem do desenvolvimento urbano da cidade, o Ginásio Guanandizão voltará a ser a principal praça de esportes coberta de Mato Grosso do Sul com o projeto de revitalização em execução pelo Governo do Estado e Prefeitura de Campo Grande. Os investimentos resgatam um templo do esporte e da cultura, que no passado sediou competições e shows nacionais e revelou grandes atletas.
Inaugurado em 1984 pelo ex-governador Pedro Pedrossian, com shows dos artistas Rita Lee e Alceu Valença em ascensão, o Ginásio Poliesportivo Avelino dos Reis homenageia o dono de uma joalheria na cidade que foi um dos maiores incentivadores do esporte local. Sua construção, moderna para a época, incluiu a Capital no calendário esportivo nacional e foi base para projetos de iniciação ao esporte, os quais revelaram atletas em várias modalidades.
As estrelas do vôlei
Assim como ocorreu no futebol com a construção do Morenão, surgindo clubes profissionais e participação em campeonatos brasileiros, o Guanandizão motivou a formação de uma equipe de vôlei de expressão, a Copaza, entre as três melhores do Brasil na época (1984/87). O clube revelou Carlão e Pampa, campeões olímpicos em 1992, e enfrentou no ginásio equipes do nível da Pirelli e Minas. Momentos do esporte que agora poderão ser retomados com o apoio do poder público.
Outro espetáculo de grande repercussão presenciado pelo público sul-mato-grossense foi o confronto pela Liga Mundial de Vôlei entre Brasil e Portugal, que se enfrentaram nos dias 19 e 20 de junho de 2004. O Brasil, comandado pelo técnico Bernardinho, venceu facilmente os dois jogos (com transmissão pela TV) por 3 a 0, em menos de 70 minutos cada, e uma torcida animada lotou o ginásio, conforme noticiou o jornal O Estado de S. Paulo.
“Durante a segunda partida, a torcida gritava “Geovane, Geovane, Geovane” e o técnico decidiu colocar o atacante em quadra, para delírio de oito mil pessoas”, narrou o jornal. O atleta acabou marcando o último ponto, fechando a vitória e mantendo o Brasil invicto. “Achei que devia atender a torcida, por tudo o que ele já fez pelo vôlei”, declarou Bernardinho, que preferiu dar oportunidade aos novatos nesse jogo, dentre eles Roberto Minuzzi, com apenas 22 anos.
- Equipe de vôlei da Copaza
- Copaza entre os melhores
Obras em andamento
As obras sequem em ritmo acelerado, com conclusão prevista para meados de 2020. O piso da quadra foi retirado e será substituído por uma base móvel em conformidade com o esporte a ser praticado e suas especificações. A capacidade de público será mantida em 8.240 pessoas, atendendo recomendações de segurança, mas as cadeiras serão trocadas e haverá adequações em acessibilidade. As lajotas no entorno do ginásio foram retiradas e o espaço ganhará novo piso.
Para a reabertura do ginásio, Estado e Município se articulam para trazer um jogo pelas ligas nacional ou mundial de vôlei. Enquanto a reforma segue, os dirigentes esportivos contabilizam um novo momento para o esporte. “A falta de um espaço como o Guanandizão hoje inibe as federações de captar grandes eventos nacionais ou mesmo realizar competições regionais”, afirma o presidente da Federação de Voleibol de MS, José Eduardo Amâncio da Mota (Madrugada).






