REABERTURA DO GUANANDIZÃO EM 2020 RECONTA A HISTÓRIA DO ESPORTE NO MATO GROSSO DO SUL

Nome de bairro que por muitos anos ficou à margem do desenvolvimento urbano da cidade, o Ginásio Guanandizão voltará a ser a principal praça de esportes coberta de Mato Grosso do Sul com o projeto de revitalização em execução pelo Governo do Estado e Prefeitura de Campo Grande. Os investimentos resgatam um templo do esporte e da cultura, que no passado sediou competições e shows nacionais e revelou grandes atletas.

Inaugurado em 1984 pelo ex-governador Pedro Pedrossian, com shows dos artistas Rita Lee e Alceu Valença em ascensão, o Ginásio Poliesportivo Avelino dos Reis homenageia o dono de uma joalheria na cidade que foi um dos maiores incentivadores do esporte local. Sua construção, moderna para a época, incluiu a Capital no calendário esportivo nacional e foi base para projetos de iniciação ao esporte, os quais revelaram atletas em várias modalidades.

As estrelas do vôlei

Assim como ocorreu no futebol com a construção do Morenão, surgindo clubes profissionais e participação em campeonatos brasileiros, o Guanandizão motivou a formação de uma equipe de vôlei de expressão, a Copaza, entre as três melhores do Brasil na época (1984/87). O clube revelou Carlão e Pampa, campeões olímpicos em 1992, e enfrentou no ginásio equipes do nível da Pirelli e Minas. Momentos do esporte que agora poderão ser retomados com o apoio do poder público.

Outro espetáculo de grande repercussão presenciado pelo público sul-mato-grossense foi o confronto pela Liga Mundial de Vôlei entre Brasil e Portugal, que se enfrentaram nos dias 19 e 20 de junho de 2004. O Brasil, comandado pelo técnico Bernardinho, venceu facilmente os dois jogos (com transmissão pela TV) por 3 a 0, em menos de 70 minutos cada, e uma torcida animada lotou o ginásio, conforme noticiou o jornal O Estado de S. Paulo.

“Durante a segunda partida, a torcida gritava “Geovane, Geovane, Geovane” e o técnico decidiu colocar o atacante em quadra, para delírio de oito mil pessoas”, narrou o jornal. O atleta acabou marcando o último ponto, fechando a vitória e mantendo o Brasil invicto. “Achei que devia atender a torcida, por tudo o que ele já fez pelo vôlei”, declarou Bernardinho, que preferiu dar oportunidade aos novatos nesse jogo, dentre eles Roberto Minuzzi, com apenas 22 anos.

Obras em andamento

As obras sequem em ritmo acelerado, com conclusão prevista para meados de 2020. O piso da quadra foi retirado e será substituído por uma base móvel em conformidade com o esporte a ser praticado e suas especificações. A capacidade de público será mantida em 8.240 pessoas, atendendo recomendações de segurança, mas as cadeiras serão trocadas e haverá adequações em acessibilidade. As lajotas no entorno do ginásio foram retiradas e o espaço ganhará novo piso.

Moradores usam o espaço para atividades esportivas.

Para a reabertura do ginásio, Estado e Município se articulam para trazer um jogo pelas ligas nacional ou mundial de vôlei. Enquanto a reforma segue, os dirigentes esportivos contabilizam um novo momento para o esporte. “A falta de um espaço como o Guanandizão hoje inibe as federações de captar grandes eventos nacionais ou mesmo realizar competições regionais”, afirma o presidente da Federação de Voleibol de MS, José Eduardo Amâncio da Mota (Madrugada).

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