Em meio à intensificação da disputa territorial entre a Venezuela e a Guiana, diversos países se uniram nesta quinta-feira, 7, para emitir uma declaração demonstrando preocupação com a situação e pedindo paz.

O documento foi assinado pelas nações que compõem o Mercosul, que inclui Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, além de países associados como Chile, Colômbia, Equador e Peru. “Os Estados Partes do Mercosul manifestam sua profunda preocupação com a elevação das tensões entre a República Bolivariana da Venezuela e a República Cooperativa da Guiana. A América Latina deve ser um território de paz e, no presente caso, trabalhar com todas as ferramentas de sua longa tradição de diálogo. Nesse contexto, alertam sobre ações unilaterais que devem ser evitadas, pois adicionam tensão, e instam ambas as partes ao diálogo e à busca de uma solução pacífica da controvérsia, a fim de evitar ações e iniciativas unilaterais que possam agravá-la”, afirma a declaração.
O presidente da Guiana, Irfaan Ali, afirmouque o plano da Venezuela representa “uma ameaça iminente” à integridade territorial de seu país e à paz mundial, e anunciou “medidas de precaução” para proteger a nação. O primeiro passo será levar o assunto ao Conselho de Segurança das Nações Unidas ainda hoje para que o órgão adote “medidas apropriadas”. Os dois países disputam há anos esse território que, em 2015, foi descoberto que é rico em petróleo.
No mês passado, a Guiana anunciou outro importante descobrimento que acrescenta, pelo menos, 10 bilhões de barris às reservas do país, tornando-as maiores que as do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos. Desta forma, a país possui as maiores reservas de petróleo per capta do mundo e a Venezuela, as maiores reservas já provadas do planeta. Essequibo, uma região de 160.000 km² a oeste do rio Essequibo, representa 70% do território guianês e, atualmente, vivem 125 mil dos 800 mil habitantes desse país que se tornou independente. Caracas argumenta que o rio Essequibo é a fronteira natural, como em 1777 quando era colônia da Espanha, e apela ao acordo de Genebra, assinado em 1966 antes da independência da Guiana do Reino Unido, que estabelecia as bases para uma solução negociada e anulava um laudo de 1899, que fixou os limites atuais.
Fonte: JOVEM PAN


